BORDÔ CULTURAL

Futebol é Cultura, já dizia Aristóteles a Nicômacos...

Decoração: Vejam o que este torcedor que, para 50% da população do RS tem um excelente gosto para decoração e para 50% tem o pior gosto possível fez em sua casa...

 

O texto abaixo foi publicado na coluna da escritora Martha Medeiros, na Zero Hora do dia 15 de novembro de 2009.

FUTEBOLZINHO

Você já pensou em quantas mulheres dariam tudo para que o marido jogasse um futebolzinho de vez em quando?

Vocês se vêem todos os dias. Conversam sobre todos os assuntos. Almoçam ou jantam juntos diariamente. Transam com alguma assiduidade. Viajam juntos. Vão ao cinema juntos. Dormem juntos. Passam todos os Natais juntos. As férias juntos. Pelo amor de Deus, como é que você tem coragem de reclamar do futebolzinho dele?

Todo mundo precisa respirar dentro de um casamento. Você, que vive se queixando do futebolzinho dos sábados, ou do futebolzinho das quintas, ou seja lá em que dia o seu marido jogue um futebolzinho com os amigos, deveria se ajoelhar e agradecer por ele ter um hobby e não compartilhá-lo com você. Ele precisa ver outras pessoas, se desintoxicar do ambiente familiar, suar a camisa, perder a barriguinha, tomar um chopinho. Você não pode privá-lo de uma coisa tão inocente.

Você já pensou em quantas mulheres dariam tudo para que o marido delas jogasse um futebolzinho de vez em quando? Tem marido que fica em casa o dia inteiro, tem marido aposentado, tem marido que só faz dormir, tem marido que não sai da frente da televisão, tem marido sem amigo: bendita seja você que tem um marido que joga um futebolzinho.

Tem marido que viaja a trabalho toda semana, marido que vive jogando pôquer às ganhas (e sempre perde), marido que desaparece de casa e só volta três dias depois, marido que cheira, fuma e bebe todos os dias, marido que aposta até a sogra nos cavalos, marido que é violento, marido que é retardado: louvado seja o marido que só quer jogar seu futebolzinho em paz.

O futebolzinho permite que você enxergue as pernas do seu marido no inverno. O futebolzinho faz com que ele externe sua virilidade, sua fúria, sua raiva contra aquele juiz filho da mãe. O futebolzinho resgata o homem primitivo que ele tem dentro dele. O futebolzinho ajuda-o a descarregar a tensão, dá a ele uns hematomas para se orgulhar. O futebolzinho é sua religião, e você quer acabar com isso só porque ele não tem prestado atenção em você? Vá procurar suas amigas e tomar um vinhozinho, bater um papinho, pegar um cineminha. Vá descolar seu próprio futebolzinho.

Eu achei que estava fora de moda o grude nas relações, que isso era coisa do passado, mas recebi um e-mail comovente de um homem apaixonado pela esposa que tenta, desesperadamente, preservar seu futebolzinho, que ela, por seu lado, tenta a todo custo exterminar. Fiquem espertas, garotas. O futebolzinho, o vinhozinho e tudo o mais que homens e mulheres fazem separados um do outro é o que os mantêm juntos.

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O  texto abaixo foi lido pelo professor Claúdio Moreno no Sarau Elétrico, para as mulheres que não entendem os Homens e para os Homens que ainda tentam entender as mulheres, e todos os amantes do Futebol. Um belo Gol!

A DIFERENÇA ENTRE HOMENS E MULHERES


Digamos que um sujeito chamado Heitor sinta-se atraído por uma mulher chamada Dorinha. Ela a convida para um cinema, e os dois se divertem muito. Alguns dias depois, ela a convida para jantar, e mais uma vez eles se divertem bastante. Eles começam a sair regularmente, e em pouco tempo nenhum dos dois está saindo com outros parceiros.
Então, numa noite, quando ele a está levando para casa, um pensamento súbito passa pela cabeça de Dorinha e, quase sem pensar, ela diz em voz alta: "Você se deu conta de que hoje faz seis meses que a gente está saindo juntos?".
Então, desce um súbito silêncio no carro. Para Dorinha, parece um silêncio ensurdecedor. Ela pensa: "Ih, será que ele se incomodou com o que eu disse? Talvez ele esteja se sentindo preso nesta relação, agora ele vai pensar que eu o estou pressionando!
E Heitor está pensando: "Pô! Seis meses!".
E Dorinha está pensando: "Mas, pára aí! Eu também não sei se quero este relacionamento! Algumas vezes sinto falta de espaço, e fico pensando se eu quero mesmo continuar desse jeito ... Mas onde queremos chegar? É pra gente continuar se vendo assim? Ou vamos terminar morando juntos? E aí? Casar? Ter filhos? Uma vida inteira juntos? Será que eu quero? Quem disse que estou pronta para um compromisso desses? E eu nem conheço esse cara direito!".
E Heitor está pensando: "Isso quer dizer ... deixa eu ver ... foi em fevereiro que a gente começou a sair, com certeza, porque eu tinha acabado de receber o carro na concessionária, o que significa ... Péra aí, deixa eu olhar o velocímetro — Putz! Eu sabia! perdi a primeira revisão!"
E Dorinha está pensando: "Ele agora parece preocupado. Posso ver no seu rosto. E se a minha leitura estiver errada? E se ele está esperando mais desta relação do que eu, e quer aumentar o vínculo? E se ele está pensando em assumir o compromisso? Ele deve ter percebido a minha insegurança antes mesmo que eu me desse conta. Agora se explica essa relutância dele em falar da nossa relação: ele está com medo de ser rejeitado!"
E Heitor está pensando: "Vou aproveitar para pedir que eles dêem uma olhada na suspensão. Vão querer me enrolar, dizendo que está tudo bem, mas que o carro está sobrando um pouco na curva, isso tá. Tomara que não venham com aquela velha história de geometria e balanceamento de pneus, que eu já gastei 300 paus fazendo toda essa droga, e não adiantou nada!"
E Dorinha está pensando: "Agora dá para ver que ele ficou zangado. Mas eu compreendo. Eu também ficaria. Oh, meu deus, como estou me sentindo culpada! Mas também não posso deixar de sentir o que sinto! Afinal, é a minha vida! Eu apenas não me sinto pronta, é só isso!" E Heitor está pensando: "Vão me jogar na cara que a garantia de noventa dias já venceu, e vão querer me ferrar. Cambada de putos!"
E Dorinha está pensando: "Talvez eu seja tão sonhadora, esperando que venha um príncipe encantado em seu cavalo branco, que não consiga enxergar que estou ao lado de um cara legal, com quem eu gosto muito de sair, um cara que parece realmente se importar comigo. Um cara que agora está aí, sofrendo, só por causa dessas minhas fantasias egoístas de adolescente!".
E Heitor está pensando: "Ah, é garantia? Querem a garantia? Vou mostrar para eles a garantia! Vou pegar a garantia e enfiar ..."
"Heitor", diz Dorinha, em voz alta.
"O quê?", diz Heitor, num sobressalto.
"Por favor, não fique se torturando assim", diz Dorinha, com um espelho de lágrimas começando a toldar seus olhos. "Talvez eu não devesse ter ... Oh, meu deus, eu me sinto tão ..." (ela não agüenta mais e começa a chorar).
"O que foi?", diz Heitor.
"Eu me sinto tão tola", ela diz, soluçando. "Quero dizer, não tem príncipe, não tem cavalo. Eu sei disso. É tolice. Não tem príncipe e não tem cavalo!"
"Não tem cavalo?", diz Heitor.
" Você me acha uma tola, não é?", diz Dorinha, ainda chorosa.
"Não!", ele diz, aliviado por ter finalmente atinado com uma resposta correta.
"É só que ... é só que eu ... eu preciso de tempo", diz Dorinha.
Há uma pausa de 15 segundos, enquanto Heitor tenta pensar o mais rápido possível numa resposta segura. Finalmente ele se decide pela que lhe parece ter mais chance de funcionar:
"OK!", ele diz.
Dorinha, comovida, toca na mão dele. "Oh, Heitor, você realmente pensa deste jeito?".
"De que jeito?", pergunta Heitor.
"Disso que eu falei sobre o tempo", diz Dorinha.
"Ah", diz Heitor, "Claro!"
Dorinha vira o rosto para ele e fita-o intensamente, deixando-o muito nervoso, na expectativa do que ela possa dizer — especialmente se envolver um cavalo. Finalmente ela quebra o silêncio:
"Obrigada, Heitor ", ela diz.
"Obrigado", ele responde.
Então ele a deixa em casa, e ela fica lá, deitada, olhando para o teto, uma pobre alma torturada, e chora até o amanhecer, enquanto Heitor volta para seu apartamento e abre um saco de Doritos, liga a TV e imediatamente se absorve na reprise de um jogo de tênis entre dois tchecos de que ele nunca ouviu falar. Uma tênue vozinha nos recessos de sua mente avisa-o de que alguma coisa importante tinha rolado lá no carro, mas ele tem absoluta certeza de que não é capaz de entender seja lá o que for, e decide que é melhor não pensar sobre o assunto — aliás, a mesma atitude que ele há muito adotou quando se trata de problemas como a fome no mundo ou os bombardeios do Iraque.
No dia seguinte, Dorinha vai correndo convocar uma amiga do peito, ou talvez duas, e vão discutir esta situação por seis horas seguidas. Numa minúcia torturante, vão analisar tudo o que ela disse e tudo o que ele disse, repassando várias vezes, e de novo, explorando cada palavra, cada expressão, cada gesto, em busca de nuances de significado, considerando cada possível ramificação. Vão continuar discutindo o assunto por semanas, talvez por meses, sem chegar jamais a uma conclusão definitiva — mas também sem ficar entediadas com isso.
Nesse meio tempo, Heitor, enquanto joga sinuca com um amigo seu, que também conhece Dorinha, dá uma paradinha para passar giz no taco, franze a sobrancelha e pergunta:
"Diz aí, Valdecir, tu sabes alguma coisa de um cavalo que a Dorinha perdeu?".

[objet trouvé em algum lugar remoto da Internet — traduzido e adaptado por Cláudio Moreno]

 

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Este é o verdadeiro GOL DE LETRA!

 

 

 

 

 

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